Arquidiocese de Niterói - Vicariato Oceânico

quarta-feira, 9 de junho de 2010

JUNHO. MÊS DE SÃO PEDRO. LIÇÕES PARA NÓS SOBRE A IGREJA.

Neste mês de junho, nossa Igreja, e o povo de Deus, comemoram alguns dos Santos mais conhecidos e mais invocados ao longo dos tempos. Dentre eles, Santo Antonio de Pádua, ou de Lisboa para os portugueses; e São João Batista. Mas vamos deter-nos na figura de São Pedro, o primeiro Papa.

Em verdade, podemos ver nele um homem trabalhador, inculto, forte fisicamente, leal ao chamamento do Mestre, e o primeiro discípulo que compreendeu, no aspecto principal, a missão do mesmo. “E vós, quem dizeis que sou”? Depois de alguns darem palpites, de ser Ele o próprio João Batista, ou o próprio Elias, vivos de novo, ou um dos Profetas, Simão, como se chamava o apóstolo; filho de Jonas; pronunciou aquela frase magnífica: “Tu és o Cristo, filho de Deus vivo”. E o fez; como Jesus explicou logo em seguida; por inspiração divina pura. Tanto que; momentos depois; foi repreendido por Ele quando, sem essa inspiração, tentou dissuadi-lo da Paixão, Morte e Ressurreição. Mas Jesus já tinha dito que Simão passaria a ter o nome de Pedro, que vem de Petrus; o originário da Pedra, na língua latina; ou no idioma grego em que foi escrito o Novo Testamento, Cefas, ou Kefas (o C se pronuncia, aí, como K, não como S). Tal pedra representava a fé que o discípulo teve e corajosamente proclamou. Mas sua valentia se transformou em covardia quando Jesus foi traído, preso e levado ao Calvário. Pedro o negou três vezes antes que o galo cantasse; como Deus Filho previra. Chorou amargamente ao cruzar seu olhar com o Dele. No entanto, não só foi perdoado, mas foi confirmado no comando da Igreja que nascia. “Apascenta minhas ovelhas”. Sabe-se, pela Tradição, que Pedro terminou seus dias em Roma, durante a perseguição movida pelo Imperador Nero; tendo sido crucificado de cabeça para baixo por não se sentir digno de morrer tal e qual nosso Redentor. Isso, depois de pregar a Palavra, como os demais Apóstolos, sob a iluminação do Espírito Santo; convertendo e batizando criaturas de várias terras; no que foi muito ajudado por São Paulo, o perseguidor que se transformou em grande pregador; o Apóstolo dos Gentios; também martirizado, por decapitação, naquele mesmo reinado.

Esse resumo da História Sagrada não nos deve levar a um puro diletantismo no conhecimento. Mas sim, à referência de nossas forças e de nossas fraquezas, sempre em conflito, no que diz respeito às nossas atitudes pessoais, familiares, e comunitárias. Professamos o ideal cristão, germinado pela semente do Batismo, e reafirmado quando da primeira eucaristia, da crisma, e dos sacramentos seguintes. Ao participarmos da Santa Missa, sentimo-nos emocionados pelo ambiente fraternal, pela música, pela liturgia no todo. Ao participarmos de Encontros, a emoção é ainda maior. Mas ao voltarmos para nossos lares, ao retomarmos a rotina semanal, nossa vida de trabalho, por vezes deixamos apagar tal emoção, diante da tensão e das dificuldades, de vários tipos, no “dia a dia”. Por outras vezes, pecamos, levemente ou gravemente. Através da Reconciliação, retomamos o estado de graça. Mas, muitas vezes, voltamos a falhar. No que muitos se decepcionam e acham que, “não sendo santos”, e “a igreja também não sendo”, é melhor que se entreguem ao “chamado do mundo”.

Saibamos, porém, repelir essa errada conclusão. Cristo, desde o começo, quis criar uma Igreja de homens (e de mulheres), tão falha e pecadora quanto protegida pela promessa de permanência. “As portas do Inferno não prevalecerão sobre ela”; disse o Filho de Deus. Os sucessores de Pedro, ao longo de quase dois mil anos; os bispos e os presbíteros; os religiosos e as religiosas; o povo que também é Igreja; têm cometido erros, muitos dos quais gerando amargos frutos. Não é preciso se dissertar a respeito. Mas, apesar dos mesmos, souberam, até hoje, manter intacta a instituição, o depósito da Fé, o magistério que esclarece as letras da Bíblia. O Santo Espírito está por aqui e por ali, incentivando na renovação e na compreensão da mudança dos tempos, sem prejuízo do que deva ser permanente. E sobre cada um de nós, de modo equivalente.

Por mais que pequemos, que desanimemos na fé e no cumprimento da lei de Deus e da Igreja, basta uma simples decisão nossa; sincera e demonstrando arrependimento, por vezes de rigor junto a um sacerdote; para que sejamos aliviados, para que sintamos a mesma alegria que Pedro sentiu ao ser mandado “apascentar as ovelhas” depois de, por três vezes, te respondido “Sim” à pergunta do Mestre, se o amava. Por mais que alguns nos tentem levar por injúrias e “meias verdades”, visando enfraquecer a Igreja para atender a interesses malsãos, por ela contrariados, saberemos resistir e perseverar no bom combate. Pedro, e muitos outros santos, pecaram antes, mas conseguiram vencer as falhas. Para tanto, todos nós, homens e mulheres, de todas as idades e condições, somos convidados.

Portanto, não percamos o ânimo. Somos católicos. Estamos navegando em um barco que pode balançar muito nas águas da vida individual e coletiva; que pode, na turbulência, parecer que naufrague. Contudo, sempre que for necessário, será socorrido pelo Senhor que nos entende, nos perdoa, e nos conduzirá, pela mesma embarcação que leva Seu selo, aos mares tranqüilos do Reino prometido. Aleluia. Amém.

Luiz Felipe Haddad

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