Arquidiocese de Niterói - Vicariato Oceânico

quarta-feira, 10 de março de 2010

TEMPO DE QUARESMA. SEU SIGNIFICADO. NOSSA ATITUDE.




Neste mês de março, em função das datas móveis do calendário litúrgico, a atenção maior de nossa Igreja Cristã e Católica volta-se para o tempo de 40 dias, iniciado na 4ª Feira de Cinzas, que terminará na Semana Santa, com a recordação da Paixão, Morte e Ressurreição do Cristo Salvador; o período denominado Quaresma.

Onde o encontramos na Palavra de Deus e no magistério eclesial? No precioso “Catecismo da Igreja Católica”, explica-se que suas origens remontam ao que sucedeu com Jesus depois de seu Batismo; isto é, foi levado pelo Espírito ao deserto; onde ficou por 40 dias sem comer, na companhia dos animais selvagens, mas sob o apoio dos anjos do Pai. Lá foi tentado pelo Diabo, três vezes. Mas resistiu, ao contrário de nossos primeiros pais; que levados pelas fraquezas, não deixaram ter êxito o inicial plano divino para a humanidade. Assim, o Filho do Homem é o Novo Adão. (como sua mãe Maria é a Nova Eva, aquela que “esmaga a serpente”; a Mulher que vence as forças malignas ao invés de a elas submeter-se). Igual a nós em tudo, menos no pecado, Jesus exerceu sua missão, que culminou no doloroso Calvário, na morte e na vitória sobre a mesma. Os ditos 40 dias de sua penitência, fazendo referência aos 40 anos que o povo judeu caminhou pelo deserto, alimentando-se do maná, entre a libertação do Egito e a chegada à Terra Prometida, são recomendados pela Igreja a todos nós; antes Criaturas, hoje Filhos do Altíssimo; batizados que almejamos o Reino de Deus em toda sua dimensão.

Desta forma, e principalmente nas sextas-feiras desse período, somos chamados a jejuar ou, ao menos, a comer pouco. Somos convidados a nos abstermos de guloseimas ou de bebidas alcoólicas, ou do fumo, mas sempre no sentido de uma adesão consciente, não imposta ou coativa, ao espírito penitencial. Como diz o velho ditado, “cada um sabe de si”. Há os que suportam passar um dia inteiro a pão e água. Há os capazes a maiores sacrifícios. Mas se não o suportarmos, se não formos capazes, ou, como muito acontece, não pudermos assim agir por questão de dietas importantes à saúde, não nos sintamos culpados. Se realizarmos alguma coisa, com amor e fé, por menor que seja, estaremos agradando a Deus. Além disso, jejuns e abstinências podem ser substituídos por obras de caridade, de assistência moral e social, de solidariedade aos pobres e aos excluídos. Também por peregrinações. Também por outras tarefas que a Igreja, e especificamente nossa Paróquia, tem a nos oferecer.

O que não cabe a nenhum de nós, é passarmos por esse relevante tempo “em brancas nuvens”, vivendo e agindo exatamente como no resto do ano, com uma prática religiosa omissa ou acomodada, limitada à assistência, e esta por vezes incompleta, às Santas Missas dominicais e dos dias de preceito. Aliás, sabemos que em nosso país e em vários outros de tradição cristã, passamos hoje por uma intensa onda, agravada pelo apoio de poderosos grupos de comunicação, de desprezo a Deus e ao sagrado, de materialismo e individualismo exacerbados, de agressão aos valores familiares e matrimoniais, de apologia ao uso irresponsável das energias sexuais; aos prazeres imediatos e voláteis, mesmo que trazendo grandes danos à saúde, ao equilíbrio, e à própria vida. Mas como leigos cristãos que somos; como membros de uma comunidade que pretende ser viva, ser “sal” e “luz”; cabe-nos; na medida de nossas forças; marcar oposição a tais fatores negativos; tanto dentro de cada um de nós, como nos ambientes de nossas participações; lar, família, trabalho, escola, relacionamentos, lazer, etc. Cabe-nos marcar presença, não por moralismos ou intolerâncias de um passado superado, mas pelo testemunho humilde e firme, por atos em favor do Próximo, que nos façam crescer na espiritualidade, colaborando para o Reino a todos prometido.

Que esta Quaresma signifique para cada um de nós, irmãos e irmãs desta Paróquia de São Sebastião de Itaipu, e das demais de Niterói, de todo o Brasil e do mundo inteiro, um real progresso na Fé e nas Obras que a confirmam. Que no começo do tempo pascoal, assinalado pelas alegrias da Ressurreição do Homem-Deus, haja maior compreensão, e mais verdadeira felicidade nas igrejas domésticas que são os lares e as famílias; que dores e sofrimentos sejam aliviados por auxílios fraternais e melhores convívios, tão ou mais importantes que medicamentos e terapias. Que se fortaleçam a cidadania e o empenho pela paz, justiça e bem comum. Roguemos pela intercessão da Santíssima Virgem, dos Santos e Santas de Deus. Amém.

(Luiz Felipe Haddad)

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